27/08/2020
Valor Econômico – Jornalista: Márcia R. Corradini
Os dois anos habituais na fila pela aprovação de um medicamento no Brasil parecem ser coisa do passado. Os laboratórios farmacêuticos e seus representantes institucionais apontam que a pandemia sedimenta uma nova fase entre autoridades sanitárias e o setor privado de saúde.
E a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é o destaque nesse sentido. A urgência dos laboratórios em substituir fornecedores de matérias-primas ante a série de lockdowns na China, Itália, Espanha, por exemplo, fez com que os laboratórios locais tivessem que submeter às autoridades uma série de matérias-primas de procedências diferentes das já registradas na agência, obtendo aprovações céleres. “Há uma equipe de qualidade técnica de alto nível na agência e o conhecimento das moléculas ajuda muito no diálogo com os cientistas dos laboratórios. E tempo é dinheiro”, lembra Henrique Tada, diretor-executivo da Associação Nacional dos Laboratórios Nacionais (Alanac).
Renato Carvalho, CEO da Novartis do Brasil, explica que sua companhia aprovou a primeira terapia gênica no país graças ao conhecimento técnico da Anvisa, que criou protocolos para medicamentos com base genética, o que abre caminho para produção de medicamentos de alta tecnologia no Brasil.
“O diálogo com a Anvisa subiu de patamar. E mesmo com as trocas no Ministério da Saúde não houve interrupção, como no passado, na análise de medicamentos”, diz Nelson Mussolini, presidente do Sindicato das Indústrias Farmacêuticas, Sindusfarma.